O Algarve é uma região extremamente rica em viveiros e essa riqueza deve-se à Ria Formosa. O sistema lagunar tem uma grande variedade de sedimentos e numerosos locais de abrigo tornando-se num local privilegiado para as espécies de bivalves. A produção destes mariscos na área da Ria Formosa é tão importante que representa cerca de 93% do total de viveiros nacionais, e 97,5% de viveiros da região.
Para a população a exploração de recursos naturais vivos que a Ria Formosa oferece assumem grande importância a nível económico, uma vez que são produzidas várias espécies de elevado valor comercial como a amêijoa boa (Ruditapes decussata) e a ostra (Crassostrea spp.), que representam 90% e 26% da produção nacional, respectivamente. Os viveiros empregam um grande número de pessoas, quer directa quer indirectamente.
O que são bivalves?
Os bivalves são moluscos quase exclusivamente bentónicos, isto é, que vivem no fundo das massas de água.
A nível morfológico são constituídos por um corpo protegido por uma concha constituída por duas partes, denominadas valvas. Essas duas partes são ligadas por um ligamento elástico. A superfície externa da concha pode ser lisa ou então esculpida em linhas concêntricas, também chamadas linhas de crescimento, uma vez que se vão formando à medida que o animal cresce.
Dentro da concha está o corpo, mole, formado pela massa visceral (vários órgãos: fígado, estômago, intestino e outros), manto, pé e brânquias.
Os bivalves são animais filtradores, um só organismo pode filtrar várias dezenas de litros de água por dia.
A nível de habitat pode viver desde a zona verde de marés até águas mais ou menos profundas. De qualquer forma a sua distribuição é visivelmente mais densa na parte central dos viveiros, pois nessa zona sofrem menos o efeito da maré vazia e a constante da falta de água.
Amêijoa-Boa (Ruditapes decussata)– É uma espécie costeira que vive em fundos arenosos, principalmente nas águas salobras dos estuários e de outros sistemas lagunares costeiros. As técnicas utilizadas pelos mariscadores para a sua captura são o arrasto de fundo, as dragas e a apanha à mão e o tamanho mínimo legal permitido para a sua captura é de 30 mm.
Os viveiros da Ria Formosa
A área da Ria Formosa ocupada por viveiros é aproximadamente de 376 hectares contabilizados pelo ICNB e mais, pelo menos, 100 hectares que estarão ainda por contabilizar, espalhados um pouco por todo o parque.
Inicialmente os viveiros eram uma exploração familiar, mantidos pelas mulheres e crianças, uma vez que os homens se ocupam na pesca. Pensasse que surgiram nas décadas de 50 e 60, quando alguns indivíduos resolveram delimitar determinadas áreas de terreno com estacas.
Actualmente praticamente não existe espaço livre para novos viveiros, uma vez que a delimitação dos terrenos nunca foi dificultada pelas autoridades marítimas. No entanto, agora o sistema é um pouco diferente e para que a capitania dê a concessão de terreno para viveiros é averiguado se a zona é salubre, se não é banco natural e se a instalação do viveiro não prejudica a navegação.
Os viveiros situam-se na zona entre as marés, o que permite o acesso humano para a preparação do terreno, povoamento e apanha de espécies. Sendo que é pouco aconselhado que fiquem muito expostos ao ar, uma vez que a insolação directa prolongada tem efeito nefasto sobre os bivalves.

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