O camão ou caimão é uma ave residente em Portugal e que foi eleita como o símbolo do PN Ria Formosa. O seu nome científico é Porphyrio porphyrio e pertence à família Rallidae, que se caracteriza por ser uma família com uma diversidade considerável de aves de pequeno e médio porte.
Esta ave apesar de ter uma vasta distribuição pelo mundo (está presente nos cinco continentes) está classificada pelos estatutos de conservação como Pouco Preocupante (LC) a nível global, agravando-se a sua situação em Portugal, onde está classificada como uma espécie Vulnerável (VU). Apesar da situação actual ser inquietante, o camão já esteve de facto numa situação muito mais preocupante. O grande declínio dos efectivos começou nos finais do século XIX e prolongou-se até à década de 90, sendo que os 10-15 casais reprodutores estimados entre 1978 e 1984 passaram para cerca de 49-67 casais em 2002. Para se ter uma ideia da crise que a ave atravessou no nosso país, à cerca de vinte anos o camão apenas existia na Ria Formosa e estava em sério risco de desaparecer como nidificante.
No entanto actualmente, distribui-se ao longo da maior parte das zonas húmidas costeiras, desde o Algarve até à região do baixo Mondego. Está presente em 9 sítios no Algarve, 3 no Sudoeste Alentejano, 1 no vale do Tejo e 3 no Baixo Mondego.
No nosso país o camão é uma espécie residente, ou seja, que passa cá a maior parte do tempo, não efectuando migrações, muito embora haja registo de algumas populações que o fazem, nomeadamente, por causa da seca em algumas zonas húmidas durante o período estival (estações mais quentes).
A nível ecológico o camão é uma espécie que habita exclusivamente em zonas húmidas com águas paradas ou lentas, como pauis, lagoas, sapais e albufeiras, desde que a vegetação emergente e a profundidade da água sejam apropriadas. Estes habitats fornecem-lhes a sua principal fonte de alimento: as plantas, das quais se destacam a tabua, o bunho, o caniço, várias espécies de juncos e algumas herbáceas. Apesar de serem essencialmente vegetarianos, também consumem ocasionalmente alguns invertebrados, anfíbios, ovos e crias de pequenas aves e peixe morto.
A subespécie nominal P. p. porphyrio, que ocorre em Portugal, é geralmente monogâmica. Expecto o Algarve, onde a nidificação ocorrer durante todo o ano, as posturas ocorrem nos finais de Dezembro e o principal período de nascimentos é no final de Março, sendo que geralmente por postura são postos entre três a seis ovos.
Pequeno vídeo de um camão alimentando as crias:
Segundo o ICNB as principais ameaças à sobrevivência do camão estão relacionadas com o seu habitat e com a caça e predação. A perda de habitat foi uma das principais causas do declínio que a espécie sofreu por toda a Europa e continua a ser o factor mais negativo actualmente, nomeadamente porque o seu habitat é apetecível para a construção de infra-estruturas de turismo e áreas urbanas. Mas mesmo sem a destruição completa do seu habitat existem alterações que põem a espécie em risco. Essas alterações podem resultar da alteração da composição da vegetação devido a sobre-exploração ou gestão desregrada dos recursos hídricos e da vegetação e da poluição agrícola, urbana e industrial. Relativamente ao Algarve, um exemplo de degradação e destruição do habitat do camão é o Ludo, em pleno Parque Natural da Ria Formosa, que há cerca de 20 anos albergava 10 a 15 casais e onde actualmente existem apenas 3 casais, devido ao desenvolvimento turístico em redor das zonas húmidas onde o camão habita.
Outro factor de risco é o abate ou captura ilegal. Há casos confirmados de abate de onde se conclui que a mortalidade e a perturbação associadas às actividades cinegéticas podem ser um impacto significativo.
No âmbito do plano sectorial da Rede Natura 2000, o ICNB tem um plano de conservação para esta espécie com estatuto de vulnerável, cujos objectivos são:
- Assegurar o incremento para valores sustentáveis do efectivo populacional de Camão;
- Garantir a preservação de zonas húmidas com condições propícias para a espécie;
- Assegurar manutenção da qualidade do habitat dessas áreas para o Camão;
- Assegurar a existência de uma rede de zonas húmidas que permita a circulação de indivíduos (e genes) entre as áreas de nidificação;
- Redução dos factores de ameaça.
Bibliografia:
. ICN – Livro Vermelho dos Vertebrados, [s.l.], 2005. p. 253-254. ISBN 972-775-153-9
. ICNB - Plano Sectorial da Rede Natural 2000: fauna, anfíbios e répteis. [Em linha] 2006[Consult. 04 Abril 11] Disponível em URL:< http://www.icn.pt/psrn2000/caracterizacao_valores_naturais/FAUNA/AVES/Porphyrio%20porphyrio.pdf>
. Fotografia - http://www.avesdeportugal.info/porphy.html


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