O sistema lagunar da Ria Formosa é protegido por várias ilhas-barreira. Nomeadamente, este sistema é constituído por duas penínsulas (Ancão e Cacela) que constituem, respectivamente, os limites ocidental e oriental do sistema e por cinco ilhas-barreira (de Oeste para Este: Barreta ou Deserta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas).
Algumas dessas ilhas têm dimensão suficiente para albergar pequenos povoados de populações de pescadores que ai residem, como de populações veraneantes que para ai se deslocam nas épocas balneares. Sendo que a ocupação por fins balneares já retoma aos anos 60, quando estas actividades começaram a ser praticadas com maior intensidade, com a construção de infra-estruturas e cargas superiores ao limite de capacidade em algumas ilhas.
Se por um lado as condições que estas ilhas oferecem são favoráveis à actividade turístico-balnear, pelas suas praias de areias finas, águas límpidas e de temperatura agradável, por outro, este é um factor de grande risco, tendo em conta a vulnerabilidade dos ecossistemas. Os factores que caracterizam e tornam este sistema mais frágil prendem-se com o seu carácter extremamente dinâmico, tanto na evolução das ilhas como das barras, onde a ocorrência de temporais e a elevação do nível médio do mar conduzem a uma elevada susceptibilidade a galgamentos oceânicos.
O acesso a essas ilhas pode ser feito de variadíssimas formas, desde barcos de carreira, embarcações-táxi, barcos particulares, empresas marítimo-turísticas e ainda por carro ou pé no caso particular da “Ilha de Faro” que sendo conhecida assim é na verdade parte da Península do Ancão e que possui uma extensa e estreita ponte.
Ilha da Culatra
A Ilha da Culatra é composta por três núcleos populacionais: Culatra, Hangares e Farol.
O núcleo populacional da Culatra é um povoado de pescadores e mariscadores, com aproximadamente 750 habitantes. Estas são gentes muito ligadas aos recursos da ria e na área envolvente podem observar-se inúmeros transeuntes distribuídos, aqui e ali, pelos viveiros a descoberto na baixa-mar e vestígios das formas artesanais de pesca utilizadas, nomeadamente os covos e os alcatruzes para o polvo.
A população é modesta e até há poucas dezenas de anos, as casas ainda eram feitas de madeira e os serviços e o saneamento e luz eram precários, sendo que actualmente a situação é diferente.
No lado da ilha que dá para a ria, existe um “refúgio” natural para embarcações de pesca, às quais no Verão se somam várias centenas de embarcações de recreio, desde iates e veleiros, de todas as partes do mundo, que aqui aportam em busca da sua gastronomia à base de peixe fresco e marisco, e também das praias.
Seguindo em direcção a poente passa-se pelos Hangares. Este pequeno povoado faz fronteira com um velho bunker e por arame farpado que delimita uma área que antigamente pertenceu à Marinha, e é o mais pequeno dos três.
| Farol do Cabo de Santa Maria |
Um vasto e extenso areal marca o lado de ilha banhado pelo mar e o qual é muito procurado por turistas na época balnear, mas nem toda a sua extensão é vigiada. As praias Culatra-mar e Farol-mar foram distinguidas com a Bandeira Azul em 2011 e a sua temperatura média da água é de 17º.
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