Estatuto de Conservação:
Global (IUCN 1994): LR/nt (Baixo risco/próximo de ameaça)
Nacional (Cabral et al. em publ.): EN (Em perigo)
Espanha (Blanco JC & González JL (eds.): VU (Vulnerável)
Descrição:
O Cágado-de-carapaça estriada é uma espécie de água doce. Pode apresentar cor preta, cinzenta ou acastanhada, sempre com riscas e manchas amarelas, na carapaça e em várias partes do seu corpo (cabeça, patas e cauda). No ventre é cinzenta ou amarelada com manchas mais escuras. A sua carapaça é arqueada no dorso e plana na parte ventral. Estes pequenos répteis podem pesar entre 400 e 500 gramas e atingir os 20cm de comprimento da carapaça.
É uma espécie com pouca diferenciação entre macho e fêmea (baixo dimorfismo sexual).
Protecção legal:
Em Portugal, a espécie está classificada como “Em Perigo”, logo existem várias medidas legais para a sua preservação. Está protegida pelos decretos-lei nº 140/99, de 24 de Abril e nº 316/89, de 22 de Setembro, transposições da Directiva Habitats e da Convenção de Berna, respectivamente.
Fenologia: Espécie residente, autóctone.
Distribuição:
Global: Este cágado aparece no Noroeste de África (de Marrocos à Tunísia), no Centro e Sul da Europa e na região ocidental da Ásia, até à Síria.
Nacional: O cágado-de-carapaça-estriada tem uma distribuição muito dispersa, sendo que a maioria das observações são de indivíduos isolados ou pequenas populações. A sua ocorrência com maior ou menor abundância ocorre um pouco por todo o país (área continental), sendo mais abundante a sul do Rio Tejo. A bacia hidrográfica onde existem mais núcleos desta espécie é a do rio Guadiana, entre os rios Mira e Arade e entre o Arade e o Guadiana.
Tendência Populacional:
Em Portugal, nos últimos 100 anos a espécie tem sofrido um declínio ininterrupto. O declínio não diz só respeito ao número de efectivos populacionais, mas também à sua área de ocupação.
Requisitos ecológicos:
Habitat: Encontram-se em habitats como charcos, lagoas, estuários, albufeiras, rios, ribeiras e paúis, pois necessitam de água-doce ou de baixa salinidade, com água parada ou pouca corrente. Destes locais dão preferência aos que possuem vegetação aquática abundante e níveis de poluição baixos.
Alimentação: A sua alimentação baseia-se em invertebrados aquáticos, anfíbios, pequenos peixes e ainda alguma vegetação aquática. Também podem comer insectos terrestres.
Reprodução:
As cópulas e as posturas dão-se de Abril a Junho. A fêmea escava um fosso onde coloca as posturas e, de seguida, tapa-as. Em média cada postura tem 6 ovos, mas este número pode variar entre 3 e 18 e ocorre apenas uma vez por ano, por fêmea. O tempo de incubação varia entre 80 e 100 dias.
A maturidade sexual dos machos é atingida entre os 8-15 anos, e nas fêmeas entre 10-18 anos ou mais, sendo que a esperança de vida é de 40-60 anos (podendo atingir mais de 100 anos em cativeiro). Esta maturidade sexual tardia das fêmeas associada a baixas taxas de fecundidade e a uma mortalidade infantil elevada, fragilizam a espécie e reduzem a sua capacidade de recuperação de impactos negativos.
Ameaças:
Os principais factores de ameaças estão relacionados com a alteração e destruição dos cursos de água e zonas palustres que levam ao desaparecimento ou fragmentação dos habitats da espécie. A destruição dos seus habitats quando é feita com recurso a maquinaria pode ainda ter grande impacto nos indivíduos matando-os acidentalmente ao destruindo os ninhos de postura, causando uma elevada mortalidade. Esta destruição está associada a variadíssimos motivos, nomeadamente, a drenagem e aterro de zonas húmidas, destruição da vegetação ripícola, regularização de sistemas hídricos, sobre-exploração dos recursos hídricos (por exemplo para captações de água), a extracção de materiais inertes e a crescente procura das zonas húmidas para o estabelecimento de novos centros turísticos.
Por outro lado as capturas ilegais para animais de estimação, fabrico de objectos ornamentais e alimentação (petisco gastronómico), e a mortalidade acidental devido às redes de pesca são também responsáveis por mortalidades elevadas.
Outro factor de ameaça é a introdução de espécies exóticas, que possuem por norma uma taxa de crescimento mais elevada e que competem directamente com a espécie. Para além disso podem originar alterações na cadeia alimentar e a introdução de doenças ou parasitas para as quais as espécies autóctones não possuem defesa.
Bibliografia consultada:
Fotografias - Life Cágados: http://www.facebook.com/pages/Life-C%C3%A1gados/102172919871723


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